Por Paulinho Bastos
Eu não quero aqui criticar por criticá-los, muito pelo contrário. Conheci algumas pessoas da Federação, cheguei até mesmo a treinar com eles e reconheço as dificuldades enfrentadas por eles e todos os aspectos. São pessoas realmente apaixonadas pelo que fazem e treinam muito para trazer shows de qualidade. Aqui, não estou criticando a BWF como empresa, mas a mentalidade que o wrestling tem dentro do Brasil.
Certa vez eu li uma entrevista de Dave Bautista (ex-lutador da WWE), em que ele resumiu o sucesso da empresa americana na seguinte frase: “Wrestling is storytelling...” (“Wrestling é enredo”). É exatamente este o ponto forte que atrai tantos fãs por tantos anos: o fato de possuir uma equipe criativa capaz de criar histórias que envolvam o público e que os façam perguntar “o que será que vai acontecer no próximo programa?”. Vejam os grandes nomes da empresa, eles não apenas atuam muito bem em suas performaces, mas também com um microfone na mão, seja para provocar público, seja para inflamá-lo. Cada vez que penso uma luta predileta ou coisa parecida, vem a minha cabeça não apenas o dia da luta, mas toda a atmosfera criada para aquilo. Muitas vezes a luta só tem relevancia por conta disso (existem muitos comentaristas que criticam a luta clássica entre Shawn Michaels e Bret Hart, e de fato, nada de muito extremo aconteceu em termos de performance. Porém, toda a repercussão daquele momento a torna uma das mais comentadas e assistidas lutas de todos os tempos).
Agora vocês devem estar se perguntando “porque diabos ele está falando isso?”. Eu estou na realidade mostrando as feridas do nosso próprio wrestling. Vejamos a nossa empresa citada acima: a BWF possui lutadores de ótimo nível, bem treinados e que sabem o que fazem dentro do quadrado. Então, o que falta para eles conseguirem um destaque maior dentro do cenário de entretenimento? A resposta é simples: todo o resto! O programa começa e termina mostrando lutadores dando "tesouras" e "rodas-gigantes", com alguns slams, até que o “mauzinho”, sem nenhuma explicação, rouba e bate no “bonzinho”. Depois no programa seguinte, ele não fala NADA!
É verdade que a pouco tempo atrás eles tentaram algo mais profundo, mas novamente, toda a trama é empacada pela falta de desenvoltura do proprio lutador. Ele pegava o microfone, e falava na mesa de costas para o público algo como “é, bati mesmo” com um baita sotaque e sem desenvolver o problema. Não existe brigas pela internet, com críticas pelo Twiter, Facebook ou algum vídeo (algo que, convenhamos, é muito simples de se fazer).
Certa vez eu fui querer saber o porque desse foco apenas na luta e ouvi algo como “ah, é a escola brasileira que tem o foco na luta, e apenas o amante do bom telecath irá entender o que está se passando ali”. Certo. Então o ignorantão aqui vai te falar uma coisa. Wrestling no Brasil, enquanto for assim, vai ser relacionado com CIRCO. Vamos convir, quem de nós nunca ouviu um “ah, mas é aquele que os caras pulam uns nos outros, né, tipo circo...”. Não! Wrestling é muito mais que circo. É uma forma de entretenimento eletrizante, que prende, apaixona e requer muito mais do que apenas “pular um no outro”.
Eu vejo realmente muito potencial em algumas coisas na BWF, como um lutador corintiano que entra com a música da torcida Gaviões. Poxa, isso traz o público, faz o cara torcer, contra ou a favor, na hora. Por que não desenvolver isso? Porque a escola brasileira não é assim, ele tem que fazer uma cara de mal, cuspir no chão, não falar nada e sair do mesmo modo que entrou. A história é feita por personagens extremamente planos, que pouco se relacionam, em uma trama única, e que, pasmem, pouco tem a ver com a busca pelo título da Federação. É quase um livro antigo em que os personagens não tinham nome, mas só funções, como "a alcoviteira", "o pirata", "o amigo da molecada". Não existe profundidade como alguém que faz de tudo para ganhar, ou um doido que quando perde a razão quebra a empresa toda, etc.
Me desculpem os puristas, mas saber os movimentos de ringue é o MÍNIMO que um wrestler deve fazer. É como um piloto de Fórmula 1 ter carteira de motorista. Falta para a BWF - e para o wrestling do Brasil em geral – tirar o cabresto e ir começar a fazer coisas que atraem o público, começar a pensar num enredo, em chamar a todos para isso. Esse “circo” que praticamos já teve muita audiência, mas como tudo na vida, ele acabou, e deve ser mudado. E, seguindo o conselho de um grande (literalmente) lutador, pensar em algo além de “pular uns nos outros”.

6 comentários:
"o amigo da molecada" = John Cena
Pronto, falei.
John Cena - Superman fajuto!
Hahaha pô, que a peteca desse blog não caia, hein...vcs escrevem bem demais, e o visual tá show...sem falar no domínio .com, mais "classudo"...phoda!!
Aê! Valeu, mestre! Continua acompanhando! Vou cobrar uma materiazinha de vc sobre o jogo WWE '12!
esse bog é fodase
os redatores são pedacinhos do céu. Especialmente esse tal Paulinho, um gato loiro. Me add, lindo, vamos tc.
Em tempo, Paulinho, desiste da BWF, faz favor. Até eles já desistiram...
(hj estou comentando toda faceira porque é dia 29 de dezembro e estou trabalhando. Amo muito tudo isso.)
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