sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Um balanço do WWE Tables, Ladders & Chairs

Por Rafael Farinaccio

Atenção: esse artigo contém spoilers do pay-per-view WWE Tables, Ladders & Chairs.

Ao contrário do que normalmente acontece na WWE, o último ppv do ano esteve longe de ser fraco, e foi bastante satisfatório como o último evento antes do início de fato do Road to WrestleMania, minha época favorita do ano! As lutas foram bem planejadas, muito bem desenvolvidas e com ótimos resultados para quem ainda tem esperança de uma renovação (tão necessária) na WWE. Desde o main event até as lutas menos significantes, vimos um desenvolvimento satisfatório das feuds que deixou tudo muito bem engatilhado para o mês de janeiro, que culmina do aguardado WWE Royal Rumble.


Zack Ryder finalmente conseguiu o United States Championship. Ryder e Ziggler apresentaram uma boa luta, bem acima de muitos supostos top wrestlers da cena. Apesar da gimmick de Ryder não me agradar muito, ele é um grande favorito da audiência, e tem tudo para, em algum tempo, figurar entre os grandes mid-carders, e com mais tempo ainda, possibilidades de um push para algum World Championship. Depende de como ele vai lidar agora com seu cinturão, das feuds em que ele vai se envolver, etc. Ziggler também, na minha opinião, tem um certo potencial, figurando como um bom heel no mid-card. Sua gimmick é boa, e sua ligação com Vickie Guerrero torna isso melhor ainda. A WWE não coloca a Vickie como manager de um heel qualquer, visto o trabalho fantástico que ela realizou com Edge no ano de 2008, em sua feud com Undertaker. Ele ainda precisa trabalhar forte em suas promos para ser mais convincente, mas ainda merece mais chances para mostrar do que é capaz.

Os WWE World Tag Team Champions, Air Boom, agora de volta depois do fim da suspensão de Evan Bourne, defenderam com sucesso seus títulos contra o novo tag team Primo e Epico. A WWE tem a intenção de investir mais em tag teams, segmento que anda bastante apagado na empresa, porém, a suspensão de Evan Bourne (Air Boom) e R-Truth (Awesome Truth), as metades dos dois principais tag teams da WWE, deu uma segurada nesses planos. Agora com Epico (o Sin Cara Negro) e Primo de volta, talvez tenhamos disputas mais interessantes pra esse título ora tão importante no wrestling.

Randy Orton e Wade Barrett fizeram um bom Tables Match, com destaque para o belo RKO de Orton sobre uma mesa, que resultou em sua vitória. Essa feud é uma em que eu acredito bastante, pois gosto muito de ambos os wrestlers, e Wade Barrett tem tudo a ganhar entrando como heel numa feud com o aclamado Randy Orton. Minha única ressalva é que Orton convence muito (mas muito!) mais como heel do que como face, como está agora. Minha sensação é de que Orton não tem motivo para ser face, o que torna o personagem muito fraco. Nem os ataques raivosos de Barrett, que tem potencial e físico para retratar um ótimo heel, nos convencem da inclinação de Orton para o bem. Estou curioso para saber para onde vai caminhar essa feud, se vai se tornar algo maior ou se é apenas uma feud de transição para o Road to WrestleMania.

Beth Phoenix e Kelly Kelly. Phoenix ganhou e manteve o título. E a Kelly Kelly continua uma gostosa.

O Sledgehammer Ladder Match entre Triple H e Kevin Nash foi um dos destques da noite para mim. Apesar de ter sido uma luta lenta (Triple H e Nash, além de grandes, estão velhos. Vamos dar uma colher de chá!), eles apresentaram uma luta muito acima do esperado, bem ao estilo powerhouse que eu tanto aprecio. No auge dos seus 52 anos (muito mais que Triple H, Undertaker ou mesmo Shawn Michaels), Nash voou do ringue direto no chão, caiu de escadas e quebrou mesas, como se estivesse na flor da juventude. Triple H fez uma apresentação raivosa, e não deu trégua para seu "ex-melhor amigo". Venceu fazendo uso da cobiçada marreta que pendia sobre o ringue. Tudo indica que essa feud acaba aí. Nash comentou no twitter que foi uma ótima última luta, com quem ele ama. Em nome dos velhos tempos, me faria feliz ver mais do bom e velho Diesel na WWE, mas ao mesmo tempo, acho que isso deixa Triple H livre para, talvez, ir buscar o streak de Undertaker no WM XXVII.

Sheamus vs. Jack Swagger foi a luta surpresa da noite, tendo sido marcada durante o próprio ppv por um patético Teddy Long vestido de Papai Noel. A luta não foi nada de mais, nada que não seja visto toda semana num Raw ou SmackDown. Acredito que a WWE esteja preparando Sheamus para ser o próximo grande face, e talvez ano que vem já possa ser o ano do irlandês. Acredito que ele tenha grande potencial, e na minha opinião, está convencendo muito mais agora como face do que como o heel que vinha fazendo desde sua estréia.

Agora, o grande acontecimento inesperado da noite (pela maioria como eu, pelo menos). Depois de mais uma (esperamos todos que a última) luta entre o World Heavyweight Champion Mark Henry (e bota heavyweight nisso!!!) e Big Show, o pequeno Daniel Bryan quebra sua promessa e gasta sua maleta do Money In The Bank para tomar o cinturão de um Big Show completamente indefeso. Depois da façanha de derrotar Henry, Show foi atacado violentamente pelo mesmo, dando oportunidade a Bryan de tomar seu cinturão e sair do ppv consagrado como o novo World Heavyweight Champion. Não é segredo que Bryan nunca me agradou, mas o que me deixou de certo modo feliz foi ver os dois grandes títulos da WWE nas mãos de babyfaces novatos, oriundos da cena amadora do wrestling. Como disse CM Punk, a tão esperada (e necessária) mudança na WWE está começando.

Como já deixei claro no parágrafo anterior, CM Punk saiu vitorioso do Triple Threat TLC Match contra The Miz e Alberto Del Rio. Finalmente Punk ganhou um cinturão justamente, e o defendeu justamente em um tipo de luta em que é muito difícil o campeão sair ainda campeão. Esse main event foi de alto nível, estando certamente entre uma das melhores lutas do ano, desenvolvendo bem os melhores wrestlers do momento na WWE, agora nesse início de Road to WM. CM Punk entra em 2012 como o verdadeiro rosto da WWE, e podemos esperar coisas muito boas relacionadas a ele até o WM.

Concluindo, foi bom passar um ppv inteiro sem ver a cara de John Cena. Como sempre digo, a WWE já está saturada de sua presença sempre igual, o que torna tudo extremamente previsível quando se trata dele. Eu sei que tenho minha bronca pessoal de Cena, mas sei também reconhecer que ele fala e luta extremamente bem, e tem um enorme apelo, seja por amor ou por ódio, com a audiência. O que me faria extremamente feliz (e quem sabe até me faria gostar um pouco de Cena) seria um grandiosíssimo heel turn do queridinho da garotada. E ninguém melhor do que The Rock para ajudar com isso. Acho que seria incrivelmente ótimo para a WWE, para os fãs e principalmente para o próprio John Cena, que cresceria muito como profissional.

Um comentário:

Paulinho disse...

Ótimo PPV, grande luta no Main Event. Espero que a WWE entenda que este é o caminho e que colocar o Cena em TODOS os programas desgasta ainda mais a imagem dele perante um público mais maduro de wrestling.