Por Paulinho Bastos
Muito tem sido discutido a respeito de um possível heel turn do maior babyface da WWE. Claro que estamos falando de John Cena, o amigão da garotada. Com essa situação, muito viva pelos últimos acontecimentos do Raw, acho que devemos nos aprofundar um pouco mais no assunto e discutirmos um pouco mais sobre essa possibilidade. Então vamos lá!
Quando eu vejo o John Cena, consigo perceber que o mesmo vive em dois mundos paralelos: o mundo “let's go, Cena!” e o mundo “Cena sucks!”. O “let's go, Cena!”, composto principalmente por crianças e mulheres, é um grupo muito forte que vem, sim, enchendo arenas em torno do mundo. Aqueles que menosprezam a qualidade deste wrestler estão equivocados. É, sim, uma lenda viva, com qualidades únicas e que, por mais óbvio que seja, está no patamar que está de maneira justa. Cena é um profissional dedicado, raríssimas são as vezes que o vemos fora de um evento da WWE e que possui os mais altos índices de venda de artigos de merchandising na história da WWE (o que é louvável, já que compete com o D-Generation X, por exemplo).
Já o mundo “Cena sucks!”, composto por homens majoritariamente, não consegue nem olhar pra uma camiseta colorida e não xingar. Em geral, tomado pelo sentimento saudosista do fim da Attitude Era, atribui a John Cena a responsabilidade de ter tornado a WWE uma empresa chata e óbvia, sem grandes lutas, reviravoltas e, principalmente, sem sangue. Além disso – e talvez essa seja a maior crítca que pode ser feita ao lutador – John Cena não convence mais. Ninguém é bonzinho e tempo todo, ninguém “nunca desiste” o tempo todo. A imagem de soldado perfeito e cidadão exemplar funciona em um filme de duas horas, mas não em um programa de 5 anos. O cara não muda há muito tempo, e pior, mantém uma imagem muito chata. É impensável admitir que um ser humano se sacrificaria por alguém que o prejudicou tanto nos últimos tempos, como ele fez com RKO na história com o Nexus. Ou seja: John Cena teve seu tempo.
Agora, vamos acompanhar os últimos acontecimentos. CM Punk se destacou por ser um personagem que falou o que todos queriam ouvir a respeito da queda de qualidade da empresa. E o fez pisando em John Cena. Na realidade, ninguém assumiu Cena como um campeão enquanto CM Punk crescia em popularidade. The Rock, um dos maiores lutadores da história, entrou em uma rivalidade muito bem programada com Cena e, para desespero deste último, falou coisas sobre as quais até eu me envergonhava e sentia dó, mas que eram verdade. A camiseta, de colorido, passa para preto e, ao invez do lema “Hustle, Loyalty, Respect”, lê-se “Rise Above Hate”.
A WWE não é trouxa, e sabe o que deve fazer pra manter-se no topo da audiência. E me parece óbvio que eles perceberam que seu maior produto deve mudar. Os pontos positivos em um possível heel turn de Cena são enormes. Para começar, é o inesperado, e isso sempre é bom. Aliás, não só isso, seria um dos momentos mais chocantes e absurdos do ano, ver o herói finalmente fazer algo pra si, e não para os outros. Além disso, seria um marco histórico, o ponto final na tão criticada "PG Era", e cá entre nós, isso seria um resgate incrível. Já foi comentado aqui no blog que a mudança nos programas está acontecendo, e em época de Road To Wrestlemania isso é multiplicado por mil. Mas para se criar algo novo é preciso mudar não só os estilos de luta, mas também acabar com o ícone, com o símbolo.
Mas nem tudo são flores nessa mudança, e aí é que eu acho que pode existir uma certa resistência nesta decisão. Ninguém vende mais do que ele, e pior, não existe hoje um babyface tão bom e destacado quanto John Cena. Muito se esperava de Edge, mas o destino foi mais rápido do que ele. Agora, CM Punk seria a solução, mas li em alguns fóruns que cogitam sua mudança para o SmackDown por ele não ter atingido os índices de venda que se era esperado em sua renovação. Sheamus está bem, mas além de falar muito pouco, é notoriamente novo e precisa apanhar muito pra consegiur o destaque que Cena conseguiu. A isso, devemos somar o afastamento de Batista, a aposentadoria iminente de Undertaker e a mudança de cargo de Triple H. Quando a WWE resolveu mudar a imagem de Hulk Hogan, a brand contava com um plantel de primeira: Shawn Michaels, Stone Cold, Taker, Big Show, ou seja, muitos nomes de calibre poderiam assumir o rojão e, mesmo assim, muitos observam como desastrosa a decisão tomada pela equipe criativa da empresa. Ele simplesmente não funcionou. Imagine fazer isso com o maior produto sem ter algo para se colcar no lugar.
Claro que a decisão será tomada por pessoas experientes, que ganham muito bem para construir um cenário novo propício a mudanças. Eu apostaria na renovação, porque este time já parou de ganhar faz tempo e a imagem da WWE vem sendo relacionada à “coisa de criança” que, infelizmente para eles, crescem e param de acompanhar. É necessária uma reformulação, e os últimos acontecimentos dão indícios de que vai acontecer - até porque, nos últimos dois programas, Kane falou coisas sobre a personalidade de Cena que batem muito forte em qualquer pessoa – e para isso, é necessario um heel turn de John Cena, nem que seja para ele voltar a ser um babyface melhor no futuro.